PEAKY BLINDERS: THE IMMORTAL MAN (2026) | CRÍTICA
Ozymandias, o soneto de Shelley sobre a ruína da estátua de Ramsés II, retrata a retratação daquilo que um dia fora o grande império, agora cai, desmorona sobre a terra e se enterra sob a areia. Thomas Shelby reflete Ozymandias, aquele que um dia foi rei, agora nem mesmo é reconhecido dentro de seu próprio forte.
Peaky Blinders: The Immortal Man surge como episódio final da trama da gangue de Birmingham, sobretudo, a seu imperador, o homem que, através da ambição, construiu e destruiu sua família, que, através de seu ódio, moldou um legado de luxúria e destruição. Thomas Shelby retorna a Small Heath.
Duke comanda os Peaky Blinders como se fosse 1919 novamente, toda a política construída agora tampouco importa, em meio à guerra, a imposição de medo garante segurança, garante liberdade. Thomas vê em seu filho o homem que um dia foi, a ambição pela grandeza que jamais poderia ser alcançada. Duke vê em si alguém que pode ser além de seu pai, aquele que alcançará tal grandiosidade.
Steven Knight cria uma boa obra, entretanto, um mediano Peaky Blinders. Uma história, acostumada ao cadenciado, de uma hora para outra se vê sendo contada em 115 minutos. Dentro disso, além de questões técnicas completamente abandonadas da série ao filme, personagens e narrativas desenvolvidas posteriormente encontram seu fim de maneira apressada, de qualquer jeito, apenas para cumprir tabela.
Tom Harper representa e pauta Thomas Shelby a partir do moralismo que não lhe cabe, cria uma imagem desconexa ao personagem baseada em cenas que buscam a exaltação da figura e o distanciamento da persona, onde, Thommy, se torna apenas um símbolo.
Peaky Blinders: The Immortal Man marca o fim de uma das principais séries de seu tempo de maneira amarga, apressada, entretanto, emocionante, onde, em meio à guerra e destruição, traumas e mortes, Thomas Shelby se permite à paz.

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