F1 (2025) | CRÍTICA
Eu, particularmente, não sou fã de Fórmula 1. Nunca fui de acordar aos domingos para assistir, não sou da época do Senna e ninguém próximo a mim é interessado. Mas, de tempos para cá, ouvindo o rádio indo para o trabalho, comecei a escutar o ‘Minuto do Automobilismo’ na Rádio Bandeirantes e comecei a achar, no mínimo, interessante esse universo. Quando assisti F1 no domingo passado, pude entender de verdade o porquê de tanta gente se interessar por esse universo.
Em F1, acompanhamos a história de Sonny Hayes (Brad Pitt), ex-piloto de Fórmula 1, que se aposentou após um acidente, voltando às pistas a convite de seu antigo colega de competições Rubén Cervantes (Javier Bardem), que o recruta para integrar uma equipe que está à beira de ser vendida. Nesse universo, conhecemos Joshua Pearce (Damson Idris), um jovem corredor arrogante que se comporta como parceiro e rival de Sonny durante o longa. Suas interações com Pitt são o que fazem o longa rodar, do começo ao fim.
Entretanto, essa dinâmica não vinga. Mesmo com uma boa dinâmica de Pitt e Idris, a trama se contenta com uma jornada do herói convencional e, por vezes, subutilizada. Além disso, o que se construía como uma transição geracional acaba sendo preterido em favor de uma conclusão centrada apenas no personagem de Brad, esvaziando a relevância do que vinha se tornando seu pupilo. Subtramas românticas sem propósito e a presença de um antagonista corporativo genérico apenas evidenciam as fragilidades de um texto que não ousa tanto, diferente de sua direção.
O que mais chama atenção no filme é sua execução técnica. Kosinski transforma a imersão visual em protagonista: as cenas de corrida são espetaculares, colocando o espectador nas pistas. O trabalho de fotografia e design de som é fantástico, elevando o longa a um patamar que justifica sua duração. É o cinema de ação em sua forma mais grandiosa.
Ao final, F1 se consagra como um espetáculo de imagem e som, capaz de ser uma porta de entrada para o universo do automobilismo (como foi para mim). Embora peque por um roteiro que evita riscos, o filme cumpre seu papel como um blockbuster vigoroso, capturando a essência da velocidade com um virtuosismo técnico que compensa a sua previsibilidade dramática.

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