ELIO (2025) | CRÍTICA
Em Elio, a Pixar entrega uma jornada visualmente agradável, mas que falha com sua estrutura narrativa fraca. A premissa acompanha um jovem aficionado por extraterrestres que, por nunca ter encontrado seu lugar no mundo, projeta o desejo de pertencer a algum lugar. Contudo, o que poderia ser uma odisseia emocionante sobre identidade acaba se perdendo em um roteiro que carece de alma.
É impossível ignorar todas as desventuras que marcaram sua produção. As notícias sobre divergências criativas e a substituição de Adrian Molina na direção parecem ecoar em cada frame da versão final. O resultado é um filme que soa como um produto de reparos, onde a visão autoral foi diluída por intervenções de estúdio, culminando em uma obra que, apesar de manter o padrão estético ao qual estamos habituados, carece de personalidade.
O maior pecado de Elio é ser um filme esquecível. Não há o impacto sensorial ou a inventividade conceitual que define a Pixar. A emoção, elemento que deveria ser o alicerce da trama, é aqui tratada de forma superficial. Mesmo se tentarmos desvinculá-lo do selo de excelência do estúdio, o longa falha em sustentar-se por conta própria, oferecendo soluções previsíveis para conflitos que nunca chegam a causar receio no espectador.
Ao final, o que resta são momentos de humor que podem arrancar um riso momentâneo, mas que não conseguem preencher o vazio de uma trama desprovida de momentos memoráveis.

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