DE VOLTA À BAHIA (2026) | CRÍTICA
Sempre é muito interessante acompanhar o cinema brasileiro, pois, em sua maioria, obras nacionais representam o país e as suas culturas além daquilo que o mundo vê. Atente-se que digo “em sua maioria” pois Eliezer Lipnik e Joana Di Carso, em seu longa-metragem, não tentam passar daquela visão estrangeira do que é o Brasil: praia, dança, praia novamente, comidas típicas e praia mais uma vez, tornando não apenas a si, mas o Brasil em algo supérfluo.
De Volta à Bahia não parece se respeitar como arte, a comédia romântica nos apresenta a Maya, uma surfista que, após traumas que a afastaram do esporte, decide retornar às águas e viajar de São Paulo para a Bahia. Em contrapartida, vemos Pedro, amante do surfe, que guarda dinheiro para viajar ao Havaí e seguir seu sonho.
A obra carrega dentro de sua narrativa um peso familiar verdadeiramente intrigante. Enquanto Maya repugna seu pai e decide manter distância, Pedro sente o peso de abandonar sua mãe ao viajar para o exterior. Isto busca trazer certo nível de profundidade à obra, principalmente ao decorrer do filme e à resolução destas questões, entretanto, inundado a diálogos expositivos e repetitivos, se torna vil.
Em muitos momentos, é questionável o que está acontecendo, se é um longa-metragem ou apenas um grande videoclipe com cenários deslumbrantes de Salvador. Cada transição de cena é feita com filmagens mostrando a cidade com músicas que se repetem durante toda a obra, com o tempo, se torna maçante.
Maya não é respeitada, a personagem estrelada por Barbara França passa de protagonista a artifício de narrativa, de uma surfista que foi à Bahia estudar seu esporte a apenas um complemento em um relacionamento onde o personagem principal é o homem.
De Volta à Bahia não funciona, personagens supérfluos, diálogos que desdenham da capacidade do espectador e cenas de transição longas e excessivas tornam a obra em algo confuso, passando a impressão de que sempre está faltando algo.

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