BLUE MOON (2025) | CRÍTICA
Em Blue Moon, Richard Linklater utiliza a melancolia como matéria-prima para dissecar a genialidade de um homem que ninguém queria por perto. Diferente das cinebiografias convencionais que tentam comprimir décadas em poucas horas, o longa adota uma estratégia diferente: a narrativa se resume a uma única noite, em um bar próximo ao teatro onde ocorre a estreia de Oklahoma!. É nesse recorte temporal que a alma de Lorenz Hart (Ethan Hawke) é despida enquanto ele aguarda, entre copos e sombras, seu ex-parceiro Richard Rodgers (Andrew Scott) e sua, até então, “amada” Elizabeth Weiland (Margaret Qualley).
A atuação de Hawke é uma das minhas favoritas dos longas de 2025, é um dos poucos casos em que você tem um ator de certo renome, que consegue apagar qualquer vestígio de seus papéis anteriores, focando inteiramente na angústia, no medo e na ansiedade palpável de Hart, que não precisa exagerar, gritar ou fazer algo mirabolante para chamar atenção. A angústia, medo, decepção e ansiedade de Hart estão ali, a todo momento.
O roteiro de Robert Kaplow atua como o parceiro ideal para essa atuação, operando uma “conversa poética de bar” impecável. Através de diálogos densos e interações cirúrgicas, o filme reconstrói toda a trajetória de Hart, sem recorrer a flashbacks. É como se Hawke regesse uma melodia onde cada coadjuvante canta um detalhe de sua vida, permitindo que o público compreenda a complexidade do artista de forma muito mais profunda do que em épicos biográficos tradicionais.
Blue Moon encanta pela sua simplicidade. É um filme que confronta seu protagonista com seus próprios demônios em conversas que revelam suas tragédias, resultando em uma experiência cinematográfica raramente alcançada: a captura genuína da essência humana em uma fatia de tempo pequena de forma satisfatória.

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