A HORA DO MAL (2025) | CRÍTICA
Hora do Mal é o tipo de terror que se sustenta muito mais pela construção narrativa do que pelo susto fácil. O filme aposta em uma estrutura fragmentada, acompanhando a história sob a perspectiva de diferentes personagens até que, finalmente, todas as peças se encaixem no momento do grande plot. O mais interessante é que cada visão realmente importa. Nenhuma parece descartável e, em nenhum momento, senti cansaço com essa repetição de pontos de vista.
A trama se beneficia diretamente dessa escolha. Ao invés de acelerar respostas, o roteiro prefere ampliar o mistério, permitindo que o espectador monte o quebra-cabeça com os personagens. Quando a revelação chega, ela não soa gratuita, mas sim consequência natural da jornada.
Nas atuações, dois nomes se destacam. Julia Garner, vencedora do Emmy, entrega mais uma performance intensa e contida, transmitindo fragilidade e força ao mesmo tempo. Já Amy Madigan é absolutamente inquietante como Gladys, a figura que assume o papel de bruxa na narrativa. Sua presença é desconfortável, silenciosa e carregada de ameaça, funcionando como uma sombra constante sobre a história.
A direção de Zach Cregger demonstra segurança ao conduzir uma trama complexa sem perder o controle do ritmo. O roteiro é bem fechado e amarra suas ideias com eficiência, evitando buracos ou resoluções fáceis.
Minha única ressalva está na forma como a polícia é tratada. Embora tenhamos o ponto de vista de um dos policiais, senti falta de ver mais da investigação em si. Considerando que todas as crianças da cidade desaparecem, tendo sido mencionado que a polícia local vai resolver o caso sem alarde, teria sido interessante acompanhar esse processo de forma mais direta. Não chega a prejudicar o filme, mas deixa uma sensação de lacuna.
Ainda assim, Hora do Mal se mantém como um terror sólido, inteligente e bem estruturado, que valoriza o mistério e a construção de tensão acima do espetáculo imediato.

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