“O MORRO DOS VENTOS UIVANTES” (2026) | CRÍTICA
Algumas vezes, vemos um estúdio dando liberdade para um diretor trazer a sua visão criativa para um projeto, onde “O Morro dos Ventos Uivantes” é uma dessas vezes. No longa, somos apresentados a Catherine Earnshaw (Margot Robbie), uma mulher de família pobre, mas que até certo ponto, consegue se manter. E Heathcliff (Jacob Elordi), um “irmão adotado” da família, que acaba trabalhando na residência. No decorrer da história, vemos o que era um simples amor de infância se tornar uma louca obsessão avassaladora dos personagens.
De antemão digo que essa crítica pretende não levar como base o material original, tendo em mente que a diretora quis trazer sua versão da obra, tanto que usa as aspas para isso.
Sendo uma pessoa que nunca leu o livro, o que mais chama atenção no longa é a força de Margot, onde sua química com Jacob, é o que confere ao filme alguns de seus momentos mais interessantes (note que eu disse interessante, e não emocionante). Porém, quando separados, essa “magia” some, não conseguindo sustentar de forma satisfatória o que vinha sendo construído, com uma sensação de que os conflitos viram “birras” juvenis, onde havia espaço para eu as intrigas fossem resolvidas. Tendo esses pontos em mentes, a única coisa que vem na minha cabeça é que o Heathcliff de Elordi, por sua vez, falha ao tentar emular a paixão, entregando um “bad boy”, com uma paixão artificial, onde sua única obsessão é uma disputa criada por si mesmo.
Tecnicamente, o longa é um caso a parte. A fotografia é primorosa, composta por frames que parecem ter o objetivo de criar fotografias dignadas de um wallpaper. O figurino impecável reforça esse visual, mas, tem partes que toda essa imersão criada é quebrada por falhas pontuais de pós-produção: fundos digitais em cenas de chuva que soam artificiais e desconectados do belíssimo realismo proposto.
Ainda que a diretora tenha deixado claro que esta é sua “versão”, o sentimento presente é o de uma fanfic com falhas gritantes, onde consegue entregar visuais deslumbrantes e uma colaboração potente entre Robbie e Elordi, mas que não atinge o cume do morro em detalhes individuais e numa superficialidade que as aspas autorais não conseguem, por si só, justificar.

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