UMA BATALHA APÓS A OUTRA (2025) | CRÍTICA
Paul Thomas Anderson cria uma distopia fictícia que é a cara da nossa realidade. Em Uma Batalha Após a Outra, somos apresentados ao personagem de Leonardo DiCaprio, Bob Ferguson, que entra em um grupo de revolucionários chamado French 75, onde acaba conhecendo Perfídia (Teyana Taylor), uma revolucionária que usa seus atos como força motriz para o seu prazer. Prazer esse compartilhado algumas vezes com a figura do hipócrita Steven Lockjaw, coronel que persegue os revolucionários nesse universo.
De maneira frenética, o roteiro desenvolve essa história até de Willa (filha de Bob e Perfídia), obrigando a saída da vida revolucionária que viviam. O personagem de Di Caprio leva isso como necessidade, a priorização de sua filha, mas Perfídia acaba sofrendo como se fosse uma tortura. Vale pontuar que esses momentos acontecem antes da primeira meia hora de filme, onde todo o tom do filme é apresentado claramente, com uma trilha sonora incessante, sem pausas, deixando o público inquieto com cada passo.
No decorrer do longa, vemos o desenvolvimento do relacionamento de pai e filha, agora com Willa (Chase Infiniti) crescida, tendo que enfrentar o passado de seus pais com a volta de Lockjaw, cujo objetivo é “apagar” quaisquer provas de seu envolvimento com a personagem de Teyana. O personagem se mostra como uma força da natureza, mesmo sendo colocado à prova diversas vezes, se mantém firme, perseguindo seu objetivo, onde os principais beneficiados somos nós, por termos um personagem marcante e, de certa forma, uma caricatura de tantos personagens moralistas da nossa realidade.
Em meio às desventuras de Bob e do resto do elenco principal, o filme consegue nos apresentar personagens com pouco tempo de tela, mas que roubam a cena, como o Sensei Sérgio (Benício Del Toro), que, diferentemente dos outros extremos apresentados, consegue lidar com a revolução de um jeito mais racional, sem prazeres pessoais e sim, ações altruístas.
Mesmo parecendo distante, a obra se mostra mais atual que o normal, bastando ligar no Jornal Nacional ou abrir o celular em uma página de notícias, para vermos atrocidades iguais ou piores dos acontecimentos do filme. O que vemos em tela não é exagerado, mas o reflexo de um mundo onde o egoísmo institucionalizado gera conflitos sem trégua, nos deixando fadados a repetir eternamente uma batalha após a outra.

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