BUGONIA (2025) | CRÍTICA
Mais uma vez, uma das maiores duplas icônicas de Hollywood, Yorgos Lanthimos e Emma Stone, nos presenteia com um novo e instigante projeto: Bugonia. O filme é um remake do cult sul-coreano Save the Green Planet! (2003), dirigido por Jang Joon-hwan, e já de início deixa claro que não se trata de uma simples releitura, mas de uma reinterpretação autoral, carregada da identidade peculiar de Lanthimos.
Uma das mudanças mais interessantes em relação ao material original está na escolha do protagonismo. Aqui, a figura central passa a ser uma mulher: Michelle, vivida por Emma Stone, uma poderosa CEO norte-americana em pleno auge de sua carreira. A atriz entrega uma performance que vem sendo amplamente elogiada pela crítica, especialmente pela forma como transita entre o controle absoluto, a frieza corporativa e sutis fissuras emocionais que humanizam a personagem. Stone mais uma vez prova por que sua parceria com Lanthimos é uma das mais frutíferas do cinema contemporâneo, dominando personagens moralmente ambíguos com precisão e desconforto calculado.
Ao seu lado, Jesse Plemons se destaca como Teddy, um conspiracionista paranoico que, convencido de que Michelle esconde algo muito maior do que aparenta, arrasta seu amigo Don para uma jornada cada vez mais absurda. Plemons é frequentemente citado pela crítica como um dos grandes destaques do filme, justamente por evitar a caricatura fácil: seu Teddy é ao mesmo tempo inquietante, patético e estranhamente humano. O ator equilibra humor e tensão com naturalidade, tornando o personagem crível mesmo nos momentos mais extremos da narrativa.
Na direção, Yorgos Lanthimos reafirma sua assinatura autoral ao transformar o absurdo em ferramenta de reflexão. O cineasta conduz Bugonia com um humor ácido e desconfortável, explorando temas como paranoia, poder, alienação social e a fragilidade das certezas modernas. Mesmo partindo de um filme cult já bastante singular, Lanthimos consegue imprimir personalidade própria à obra, mantendo o espírito provocativo do original enquanto o adapta a um contexto mais contemporâneo e ocidental.
A trama apresenta seus personagens de forma eficiente e envolvente, estabelecendo rapidamente as dinâmicas que sustentam o conflito central. Bugonia se constrói como uma experiência estranha, provocadora e, por vezes, incômoda, exatamente o tipo de cinema que se espera dessa colaboração criativa. Não é um filme que busca respostas fáceis, mas sim levantar perguntas, desconstruir certezas e desafiar o espectador a rir e se inquietar ao mesmo tempo.
Ainda assim, Bugonia não é um filme isento de problemas. Em alguns momentos, especialmente no segundo ato, senti que o ritmo acaba se tornando irregular, com situações que se prolongam além do necessário e reforçam ideias que já haviam sido bem estabelecidas anteriormente. A repetição do desconforto, algo característico do cinema de Yorgos Lanthimos, aqui funciona apenas parcialmente: enquanto em certos trechos ela intensifica a tensão, em outros pode gerar uma sensação de desgaste. Isso não chega a comprometer a experiência como um todo, mas é um ponto que pode afastar espectadores menos familiarizados ou menos pacientes com o estilo do diretor.

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